DEPOIMENTO DOS CRIADORES

Walter Vertuan , do Canil Tibaitá –Brenda Lee, de Campo Limpo Paulista,SP:” Na década de 70, era comum os criadores estimularem no Fila um temperamento bravo e raivoso. Era desejável que atacasse partindo feito louco, e poucos conseguiam faze-lo parar. Nas exposições, esse comportamento ajudava a passar pelas provas de temperamento. Nos anos 70 e 80, o Fila ganhava poucas exposições. Desconfiávamos de que os juízes tinham medo de manipular o cão para avalia-lo e, além do mais,o próprio padrão dizia que se atacasse, não seria considerado como falta. Em 1985, um Juiz julgava o Fila com uma cadeira na mão, como se fosse um 
domador de leão.Essas cenas continuaram até, mais ou menos, 1988.Em conversa com alguns juízes, descobrimos que, no dia em que eles pudessem tocar os cães, o Fila poderia ganhar mais exposições. Ao mesmo tempo, a imagem de cão perigoso, estava reduzindo a procura pela raça.Esses fatos levaram muitos criadores de São Paulo a trabalhar na sociabilizacão para obterem um temperamento menos agressivo. Na medida em que conseguiram atingir esse objetivo,a raça passou a ganhar mais premiações. Hoje, é um cão de comportamento muito equilibrado, e o mais importante: não perdeu a característica de guardião.Atualmente são muitos os Filas sociabilizados. Alguns podem até ficar soltos na sala, sem intimidar as visitas, permitindo ser acariciados. A sociabilizacão foi importante para assegurar ao Fila, partir de 90, estar sempre entre os primeiros colocados nos rankings do sistema CBKC.Hoje,os únicos que mantêm a criação antiga são os poucos criadores do Clube de Aprimoramento de Fila Brasileiro, ainda incentivando a sua agressividade.”

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Jether Garotti , criador há 27 anos, pelo Canil Corumbá, na Capital Paulista,e presidente do Clube Paulista do Fila Brasileiro:” Nos anos 70, havia Filas que entravam nas exposições com a cabeça coberta, para não ficarem nervosos com as pessoas. Alguns chegavam a quebrar a guia ao avançar nos visitantes, como aconteceu no Parque da Água Branca. Vi um Fila escapar e matar um Dachshund numa exposição, no Camping Passárgada, em 
Cotia, SP. Eram cenas até freqüentes. No início da década de 80, percebi que isso estava prejudicando a imagem da raça. Passei, então, a educar meus Filas para aceitarem a aproximação de estranhos fora do território deles, sob meu comando, capacidade que infelizmente algumas pessoas desconhecem e que pode ser também aproveitada no convívio diário. Um dos primeiros detentores de várias premiações foi o Orixá do Kirongozi, do meu canil.Por volta de 84, muitos criadores e proprietários partiram para a mesma filosofia.Pessoalmente, só sociabilizo os Filas para exposicões. Os demais, prefiro que desenvolvam     naturalmente o temperamento.Um Fila sociabilizado até aceita contato manual; permitir que lhe toquem a cabeça ou enfiem a mão na boca é sinal de sociabilizacão elevada. Por mais sociabilizado que seja, o Fila não permite que alguém entre no território dele (no jardim,por exemplo). Por isso,por segurança, recomendo prende-lo quando vier uma visita. Em hipótese alguma o Fila se volta contra o dono ou a família,com quem é sempre dócil e carinhoso.”

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Procópio do Valle, criador há 48 anos, pelo Canil Kirimáua, do Rio de Janeiro, autor de O Grande Livro do Fila Brasileiro; Quatro Séculos de história do Brasil,uma das mais importantes publicações sobre a raca.” Na década de 60, o Fila era realmente bravo. Nas exposições, os juízes não podiam encostar nele. No padrão, era prevista a possibilidade de o Fila ataca-los e de não permitir que o tocassem. A partir de meados da década de 70, a sua agressividade foi reduzida gradualmente.Até entendo o motivo; o Fila em exposições não ganhava quando muito agressivo; o juiz que levasse uma dentada ameaçava processar o criador; por outro lado,proprietários negligentes descuidaram da segurança, deixando portões abertos,passeando em locais com muita gente, o que causou acidentes,inclusive a morte de algumas pessoas e teve repercussão 
negativa. Mesmo em países receptivos a cães de guarda, como nos estados Unidos, um processo pode arruinar qualquer um.todos esses fatores contribuíram para que o temperamento do Fila fosse abrandado.Mas acho que o foi em excesso. Um verdadeiro cão de guarda nunca poderia ser solto no meio de outras pessoas, que não as pessoas da família do dono, ou circular pela rua longe do seu dono. Um Fila que passei entre o público numa exposição, sem avançar, perdeu as suas características. Em uma exposição em Israel, uma pessoa, que já tinha tido contato com a raça no passado, ficou horrorizada quando viu um juiz abrindo a boca do Fila. Depois, mandou-me um fax comentando:” Nesse mundo histérico, os cães de temperamento antigo estão desprezados.”A pessoa que compra um Fila deve adquiri-lo com consciência e criá-lo para a guarda, acostumando-o à presença do dono e da família.Mas não deve habitua-lo aos visitantes da casa,nem permitir que seja tocado por eles. O Fila deve ser criado como um verdadeiro cão de guarda, fiel ao dono e com aversão a estranhos. Cabe aos donos de um cão com esse temperamento a responsabilidade de cria-lo ou te-lo com segurança, mantendo-o em locais específicos.”

DEPOIMENTO DOS JUIZES

Antonino Barone Forzano, juiz há 55 anos, foi o único latino-americano a presidir a FCI, é considerado um dos responsáveis pelo reconhecimento do Fila pela entidade. Acompanhou de perto o comportamento do antigo Fila:”Antigamente, o Fila era mais agressivo, e deixa-lo solto, longe do dono, podia ser perigoso. Lembro das exposições no Parque da Água Branca,de 1945 à 1950, em que os cães de um criador ficavam em jaulas. Não podiam ser avaliados pelos juízes sem que o proprietário estivesse por perto. Essa característica fez com que aprendêssemos a ver nos olhos do Fila se ele era extremamente hostil ou se poderia ser manipulado.Na maioria das vezes, ele se mostrava hostil.”

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José Pedutti, juiz da CBKC há pelo menos 25 anos e consultor de Cães & Cia:” O pior problema dos anos 70 não eram os Filas, mas os seus proprietários e os fileiros. Eles forçavam o temperamento agressivo da raça, dando tiros constantes para o alto, ao lado dos cães, para que ficassem irritados com o ruído. Incentivavam o Fila a morder, ao invés de educa-lo quando abusasse da agressividade. Era engraçado. se não agredisse o handler e o juiz, então não era tido como um legítimo Fila. de meados da década de 80 para cá, felizmente, o criador tem feito questão de fazer do seu cão um animal bem comportado. Hoje, isso é tão notável que você pode ver Filas nas mãos de handlers-sem alterar a sua condiçãode guardião-o que era impossível antigamente.  Em resumo, o que mudou não foi o temperamento da Fila, mas o nível dos criadores e proprietários.”

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Hilda Drumond, juíza há 33 anos, cinóloga e consultora de Cães & Cia: “Nos anos 70,exaltava-se o cão feroz, que não permitia sequer uma aproximação amistosa,mesmo estando sob controle físico do dono. Desvirtuadas,as provas de temperamento exigiam que o Fila agisse como se fosse um covardão assustado, que atacava para não ser atacado. Os exemplares premiados éramos que demonstravam agressividade acentuada. Nessa época, quase todos os Filas eram assim. Já na década de 80, a raça começou a apresentar um novo comportamento. O marco desse período, não me esqueço, foi o Fila Orixá de Kirongozi, que era tudo que se podia esperar de um perfeito exemplar da raça.Além de ter uma estrutura excepcional, eu e outras pessoas às quais ele estava 
acostumado, podíamos brincar despreocupadamente. Nesse tempo, cogitava-se a mudança do temperamento no padrão, e acho que os criadores acompanharam essa tendência. De lá para cá,tudo mudou para melhor. Até a ponto de eu já ter visto um juiz julgando seis fêmeas soltas, todas sem guia, de frente para os seus condutores, atenta à isca exibida por eles. Hoje, o Fila tem-se mostrado totalmente sociável fora do seu território.ou seja,um verdadeiro cão de guarda,que associa eficiência a segurança.”

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Clélia Kruel, criadora brasileira,uma das maiores divulgadoras da raça no Exterior, particularmente nos EUA,onde vive atualmente e mantém o Camping Kennel. É juíza pela FCI e pelo States Kennel Club, e autora de livros em inglês sobre o Fila Brasileiro:” Na década de 70, era considerado melhor o Fila que fazia uma boa guarda do que aquele bom companheiro. A ojeriza a estranhos, pedida pelo padrão oficial, era característica marcante na raça. Naquela época, os donos não sabiam controlar direito a 
agressividade com o qual o Fila nascia. Eu mesma tinha problemas com os meus. As visitas chegavam falando:” Segura seu cão que eu vou chegar perto.” Nos anos 80, os criadores esforçaram-se para educar seus Filas para as exposições e conseguiram deixa-los mais sociabilizados, demonstrando discernimento nos momentos em que deveriam ou não atacar. Uma vez, nesse período, enquanto fazia uma verificação de ninhada, uma Fila se aproximou, rosnando e demonstrando raiva, mas não me atacou. Hoje, acho que o cão pode ser treinado para ir a exposições ou mesmo ser mais sociável. Mas se ele desenvolve suas características naturais de extremo apego à família, territorialista e indiferente a estranhos, pode sim ser perigoso. Cabe ao proprietário aprender a controla-lo.E é isso que tem acontecido: nos últimos anos, o Fila tem sido cada vez mais bem controlado por seus donos. De certa forma, representa uma boa mudança de comportamento. O ideal é que continue assim e não volte a ter incentivadores para ser feroz, como ocorreu na década de 70.”

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